2ª Edição - 2010

Condutor Duas Rodas – História

Tema: Aconteceu comigo no trânsito de São Paulo.

1º lugar - Mario Rosa Junior

2º lugar - Daniela Maria Cardoso Viana

3º lugar - Cristiane Megumi Gambata Sato 


1º lugar - Mario Rosa Junior

Aconteceu comigo no trânsito 

Tenho ainda frescas na memória, as imagens do dia 23 de março de 2009.

O dia que não terminou e que de certa forma, não irá terminar. O dia em que eu aprendi que há momentos na nossa vida em que é preciso fazer escolhas.

Escolhas que não só determinam o nosso presente, mas que também afetam a nossa felicidade futura. O dia 23 foi um desses momentos.

Era pra ser um dia normal, como os 365 dias anteriores ou os 365 dias que iriam se seguir, mas não foi. "Dizem que os nossos olhos só vêem aquilo que a mente está preparada para compreender". Naquele dia eu compreendi o que as estatísticas envolvendo acidentes transito com motociclistas queriam dizer.

É incrível como a dimensão de alguns riscos possam passar tantas vezes despercebidos, até um indesejável acidente se torne visível.

Sempre havia um motociclista acidentado no centro expandido de São Paulo, mas eu nunca tinha visto isto com meus olhos. Eu tinha a habilidade de aparecer 5 minutos antes de alguma coisa acontecer ou 5 minutos depois. Não naquele dia.

Podem dizer o que quiserem sobre os motociclistas que circulam na capital paulista, mas eles tendem a ter um senso de profissionalismo altamente desenvolvido. A maioria nunca se atrasa, assim, pizzas, lanches e documentos são entregues religiosamente em dia, todos os dias. E eu não queria ser exceção.

Eu tinha uma moto 250 cilindradas, com injeção eletrônica, freio a disco e boa estabilidade, o que certamente é uma vantagem num transito pesado como o nosso.

Mas a vida é uma caixinha de surpresa e uma coisa é certa, alguma coisa naquela manhã cinza de segunda-feira iria acontecer.

Faltavam 5 minutos para as 8h00 eu passava pela mesma via, pela mesma pista, a mesma curva que tantas vezes vi passar. Não naquele dia. Em poucos segundos a curva à direita não já não teria o mesmo encanto, nem pneu à pista a mesma aderência. O dia passaria lento, atento a voz da consciência.

No meio do caminho havia uma pedra, havia uma pedra no meio do caminho, ainda reflexo de uma forte enchente que atingiu a cidade dias antes.

Caí com a mesma rapidez que por vezes fiz a moto pegar. Era a Avenida dos Estados.

Quando se cai numa via movimentada, só se pode contar com duas coisas: a sorte e a solidariedade. Não sei dizer qual das duas se apresentou primeiro. Só sei que caído no meio da rua, da chuva, com o gota-a-gota rasgando o brio ao meio; o tempo desaparece, desaparece o espaço, desaparece os sonhos e o forte que outrora era de aço. A vida tem dessas coisas. Quando a gente imagina que sabe todas as respostas, a vida vem e muda as perguntas.

Eu sempre quis saber como nascem os anjos. Como eles param o transito pra deixar a vida passar, como resgatam os sonhos perdidos no ar, como trocam de turno sem deixar de amar, como são capazes de entregar a própria vida se a vida precisar.

É tudo muito rápido. Nem tempo de dizer obrigado, mas fui obrigado a passar dias me perguntando: Com quantos heróis anônimos se constrói uma cidade? Com tantas cercas e muros, vi que ainda há espaço para pontes de solidariedade. Passei a observar a vida mais de perto, com mais serenidade.

Hoje opto muito mais pelo transporte público frente o vento frio da dura privacidade. Com 6 pinos, uma placa, 13 pontos e uma marca, me orgulho  de conhecer os quatro cantos dessa cidade e por descobrir que há outros meios de transporte que nos conduzem a felicidade. E que em todos eles cabem a paz, a alegria, o respeito e a solidariedade.


2º lugar - Daniela Maria Cardoso Viana

Aconteceu comigo no trânsito de São Paulo 

Sou ciclista há dois anos e percorro cerca de sessenta quilômetros diariamente pela cidade de São Paulo para chegar ao trabalho no bairro de Pinheiros. No início foi difícil tomar a decisão de continuar pedalando na cidade devido à ausência e uma rotina de ciclistas no trânsito Pelas diversas dificuldades decorrentes de se ter a bicicleta como um meio de transporte, muitos optam pela não utilização no dia - a - dia deixando-a somente para o lazer aos finais de semana.

Umas das maiores dificuldades enfrentadas nas ruas da capital pelos ciclistas e por todos que utilizam algum tipo de veículo - ou até mesmo pelos os próprios pedestres - é a falta de educação no trânsito, o que sensibiliza a relação entre o veículo e o que está em torno dele. Hoje em dia não se tem mais uma visão do que é o respeito e a educação no trânsito. Todos, pedestres, motoristas e ciclistas, na maioria dos casos, só se preocupam com eles mesmos, esquecendo-se de que a seu redor há outros que dependem de cada escolha individual para que todos cheguem ao seu destino sem imprevistos.

A falta de educação no trânsito é relativa: pode se tratar simplesmente  da não preocupação em sinalizar uma curva para a direita, não colocar placas sinalizando obras ou reformas nas ruas e até mesmo não se importa se um pedestre terminou de atravessar a faixa antes de sair com o veículo.

Já passei por diversas das experiências citadas acima, mais uma foi a que mais marcou e é a que mais evidência a importância da Educação no Trânsito. Em meados do mês de março de 2010 por volta das 22 horas, eu seguia para minha casa pela Avenida Antonello da Messina onde passo todos os dias; porém, nesta noite, tive uma surpresa um tanto desagradável.

A avenida estava decapada para a colocação de um novo asfalto, com grande  quantidade de pedras por toda sua extensão. Pela manhã a avenida estava normal, sem nenhum aviso ou placa sinalizando as obras. Não tive alternativa a não  ser permanecer nela. Tenho o costume de sempre olhar para trás enquanto pedalo, para ter visão do que se aproxima. Mas estava difícil, pois o trajeto tinha muitas pedras e, pela pouca sinalização, os carros me ultrapassavam em alta velocidade pela avenida demonstrando novamente a tal falta de educação com os demais.

Ao olhar para trás, deparei- me com um carro totalmente apagado e em péssimas condições vindo pela pista da direita e praticamente beirando a roda da minha bicicleta. Tomei um susto de imediato e quase perdi o controle. Com o acontecido, perdi a educação e proferi uma palavra inadequada que ofendeu o motorista do veículo.

Ofendido, o motorista me ultrapassou, jogando o carro para a esquerda e, logo em seguida, virou de uma vez seu carro para a direita, como se fosse estacionar na calçada. Ele bloqueou minha passagem pelo que tinha ouvido. Quando me deparei com a situação e vi o que ele tinha feito, continuei pedalando até alcançar o veículo com calma. Ao chegar lá, passei a conversar com ele percebendo claramente que ele estava disposto a descer do carro e me agredir fisicamente.

Foi quando o motorista me indagou a respeito do que eu tinha dito inicialmente: - "O que você disse? Repete o que disse?"

Então eu respondi - "Desculpe-me senhor, mas o que eu falei foi exatamente isso que o senhor ouviu", e confirmei a ofensa proferida, mas, com o susto, acabei dizendo sem a intenção de ofendê-lo, respondi. Ao ouvir a palavra " Desculpe-me" a fisionomia do motorista mudou completamente e seu tom de voz começou a ser brando.

Explicou que não era a sua intenção me assustar e que preferiu não buzinar por medo de me assustar ainda mais. Foi um mal entendido e resolvemos a situação com um simples pedido de desculpas. Poderia ter acabado pior caso o motorista tivesse partido para a agressão. O erro foi de ambos, porém, se desde o início eu tivesse mantido a calma e sido educada, pedindo desculpas de imediato tudo poderia ter sido diferente.

Esta foi a história que "Aconteceu comigo no trânsito de São Paulo. Desta forma aprendi a importância em manter a calma e sempre utilizar a Educação no Trânsito como um guia para chegar bem em casa todos os dias.


3º lugar - Cristiane Megumi Gambata Sato

Aconteceu comigo no trânsito 

Resolvi virar motociclista em 2006... Era habilitada desde 1999, alguns meses depois de me habilitar na categoria B. Na época, fui expressamente proibida por meus pais de tirar habilitação na categoria A. Mas consegui convencê-los alguns meses depois...

No inicio era uma motorista de veículo montada em uma motocicleta, seguia estritamente tudo que os motoristas faziam no trânsito. Evitava transitar em vias de acesso rápido, com muito medo de ser derrubada, em meus 40 km/h.

Aos poucos, fiquei mais confiante e com isso também veio o perigo, como em tudo o que fazemos. O medo faz parte de todo processo pelo qual passamos na vida. A partir do momento em que nos sentimos um pouco "donas da situação", acontecem os problemas. Mas pude perceber que muita coisa mudou neste período! Ao mesmo tempo em que sinto mais segurança ao transitar pelas ruas e avenidas de São Paulo, percebi que muitas pessoas resolveram se juntar a mim e também se tornaram motociclistas. A paisagem de condutores de 2 rodas em São Paulo não se limita mais aos "motoboys", sendo parte agora também as mulheres, executivos e pessoas da melhor idade, inclusive.

Logicamente neste período, tive momentos de muita tensão no trânsito, necessidade de ultrapassar veículos, "corredores" e pequenas quedas, felizmente, sem gravidade. Tive experiências muito boas, como um motorista que me fechou e veio a mim para saber se havia me machucado e necessitava de um médico. Nesta ocasião, simplesmente me levantei, juntei todas as minhas forças e ergui minha moto do chão, verifiquei que nada havia acontecido (a não ser o "susto"), agradeci ao motorista e segui meu caminho; tive também experiências ruins, como quando tive de parar no meio do trânsito em uma curva graças a um buraco enorme no asfalto ( que parecia ter sido feito para  alojar meu pé), não " encontrei o chão", vindo a cair junto com a motocicleta! Acredito que este foi o pior de todos! A moto "afogou" e tive que arrastá-la até a calçada e fazê-la "pegar". Demorei uns 3 minutos para me recompor, que pareceram uma eternidade!

Mas ainda assim, ressalto a todos que pensam em se tornar motociclistas como muitos de nós, que apesar de alguns sustos, é um meio de transporte muito prático e econômico. Só é necessário gostar muito de motocicleta, na alegria e na tristeza (como nos casamentos) e no sol e na chuva!

Como proposta para melhorar o trânsito, obviamente os investimentos em meios de transporte seria a forma mais inteligente de fazê-lo, porém, ressalto que outros trabalhos também são de grande valia e trazem benefícios, por exemplo, a moto via já existente em alguns pontos da cidade. O único problema é que ainda são pequenos trechos, mas onde é perceptível a melhora da segurança existente nestes locais, não só para os motociclistas como para os motoristas.

Como "usuária" de duas rodas, notei também um expressivo aumento de ciclistas, muitas vezes arriscando-se no meio dos veículos e competindo com as motocicletas. Caso tivéssemos também em São Paulo ciclovias e trechos dedicados a este tipo de transporte (tornando-se como exemplo, a proibição da circulação de motocicletas na Av. 23 de Maio), certamente muitos acidentes poderiam também ser evitados.

Finalizando, aprendi muito como motociclista, e ao contrário do que possa parecer, posso afirmar que respeito muito mais os pedestres agora do que antes. Tenho agora as três visões: de motorista, motociclista e pedestre, e isso certamente me fez pessoalmente, melhorar como pessoa e cidadã.

E acredito também que apesar da grande quantidade de veículos nesta megalópole (e cada vez mais veículos extremamente robustos e grandes) e do trânsito intenso, que a grande maioria dos motoristas, motociclista e pedestres estão um pouco mais conscientes, sabendo que cada um é responsável por uma  parte e que todos somos a porção de um todo! E que depende de "nós" evitarmos que o stress e da cidade grande e a falta de respeito de algumas pessoas seja parte de nossas vidas! E fica minha mensagem "Dirijamos defensivamente"!

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