2ª Edição - 2010

Condutor - História

Tema: Aconteceu comigo no trânsito de São Paulo.

1º lugar - Lindsay Karen Gois Rodrigues

2º lugar - Jefferson Ricardo Crema

3º lugar - Sonia Maria Valente Castro Ribeiro da Silva


1º lugar - Lindsay Karen Gois Rodrigues

Aconteceu comigo no trânsito

Bi, bi, bi!!!

Essa é a melodia mais ouvida quando ia do trabalho para a faculdade ou de casa para a faculdade...

Se todos esses "maestros" da imprudência e da impaciência tivessem sido crianças curiosas, interessadas e inteligentes como Danilo, um garoto de 7 anos, que sempre utiliza o mesmo ônibus que eu, quando volto do trabalho, não ficariam azucrinando nossos ouvidos ou expondo nossas vidas ao perigo.

Um dia, sentou-se ao meu lado e começou a contar a respeito de uma aula de Educação de Trânsito promovida por sua escola.

Conforme ia relatando o que poderia ser mais uma dessas histórias cansativas, contadas por pré-adolescentes, algo diferente e surpreendente acontecia.

O entusiasmo de ambos, meu por ouvi-lo e dele por contar, era tão grande que sua mãe, ao registrar a cena, não pode esconder o orgulho que tinha desse pequeno cidadão e que, certamente, será um grande adulto, responsável e ético.

Eu, como sempre fui curiosa enxerguei-me há alguns anos. Aquele menino, com seus 7 anos, poderia, perfeitamente, ensinar milhares de motoristas, pois sua curiosidade e vontade de aprender eram notáveis.

Bom, voltando à narrativa do meu amiguinho...

Ele me contou que o instrutor, responsável pela aula daquele dia, a respeito de sinalização, fez várias perguntas relacionadas às cores do semáforo e saiu muito impressionado com a "performance", do pequeno.

Para falar a verdade, eu também. Sua inteligência em associar as cores à explicação que seus pais lhe deram fez a diferença.

Por exemplo, o verde que indica passagem liberada para os carros ou travessia liberada para pedestres, para ele, lembra o verde das plantas da casa da sua avó.

Planta que tem vida!

O amarelo, que é atenção, é, metaforicamente, a gema do ovo que seu pai adora, mas tem que ter cuidado por causa do colesterol, nada de abuso; o mesmo cuidado que devemos ter quando o semáforo muda do verde para o vermelho, passando antes pelo amarelo.

Finalmente o vermelho, do PARE, com essa cor chamativa, lembra o sangue do machucado que podemos ter quando desrespeitamos às leis ou somos vítimas do desrespeito alheio.

Eu fiquei boquiaberta com a esperteza e a segurança do garoto, principalmente quando ele disse: "Meu pai sempre fala que se a gente educar as crianças de hoje, não será preciso punir o adulto amanhã".

Quando eu achei que a "aula" havia terminado, ele continuou, enveredado e explanando outros assuntos como: cinto de segurança; pontuação, faltas leves, graves, gravíssimas etc.

Através da janela do ônibus, que se fazia para mim uma verdadeira Universidade, dada a enorme quantidade de informação e dados saídos da sua cabeça de apenas 7 anos, ele me apontava um motorista sem cinto de segurança; uma criança transportada de maneira incorreta; um motociclista sem capacete; pedestres atravessando fora da faixa destinada a eles; uma senhora que segurava a criança pela mão e não pelo pulso entre outras imprudências contidas na legislação de trânsito.

Após toda "explanação-mirim", senti-me preocupada por saber da condição de total ignorância voluntária ou involuntária de muitos motoristas e pedestres que, por conseguinte, não ensinam seus filhos a respeitarem essas leis e acima de tudo a Vida. E orgulhoso de fazer parte, ainda que por um caminho relativamente curto e caótico, do mundo desse menino, do pequeno Danilo.


2º lugar - Jefferson Ricardo Crema

Aconteceu comigo no trânsito

Observando todo este tempo de experiência no trânsito de São Paulo, em idas e vindas de entregas e passeios nos fins de semana, percebo há quantas andam a intolerância das pessoas. Dificilmente se vê gestos de solidariedade, sequer de civilidade, não dão passagem a idosos e crianças, não respeitam as leis de trânsito: sinal vermelho ou verde parecem ser a mesma coisa, as pessoas tem pressa, muita pressa... só querem saber dos seus direitos. Deveres nem pensar! Cidadania: o que é isto?

Em meio a todo este cenário, vocês devem estar pensando que irei relatar algo horrível que me ocorreu no trânsito de São Paulo. Mas não, prefiro falar de um fato que me ocorreu há alguns anos atrás, um fato muito bonito que não me sai da memória, que irei guardar como uma lição pro resto da minha vida e sempre que puder repassá-lo com certeza o farei, seja em uma roda de amigos, um passeio com as crianças, ou em conversas soltas com pessoas que encontramos nas ruas, nas praças, nos bancos da cidade, que ao verem um espaço para conversar o fazem... pessoas que gostam de pessoas.

Sei que posso não mudar o mundo, mas posso espalhar uma semente, sem qualquer pretensão, que poderá brotar ou não no coração das pessoas e quem sabe até dar frutos. Se eu o fizer, e conseguir com que apenas uma pessoa, arrume um pouco do seu tempo tão precioso para ler e refletir, já estarei por satisfeito, pois sei que este alguém como eu, acredita sim na humanidade das pessoas... Segue o meu relato:

Certa vez, estava eu junto a meu pai numa destas entregas. No entanto, esta em especial era uma visita a um novo comprador. Logo, o motivo pelo qual termos ido juntos, infelizmente a aparência ainda conta muito nessas horas e credibilidade não combina muito com um jovem de 20 anos com cara de dezoito... No percurso, rumo a esta empresa, em uma destas grandes rodovias de São Paulo, estávamos rodando na faixa certa. Quando de repente, um carro sabe-se lá de onde, surge à nossa frente. Subitamente, meu pai pisou no freio, deslizou e escapou do outro carro por um triz.

Mesmo errado, o condutor do outro veículo, sentiu-se no direito de contestar, sacudia as mãos em gestos obscenos e gritava nervosamente contra nós. Meu pai simplesmente sorriu e acenou para o motorista fazendo um sinal de positivo com tamanha serenidade e não deboche (como muitos o fariam, para não dizer pior). E o fez de tal forma, que o motorista ficou sem entender o porquê.

Nem eu, que logo o questionei: - Por que o senhor fez isto? Ele quase arruinou o nosso carro e se não fosse por Deus, talvez estivéssemos muito machucados!

Foi quando me ensinou a grande lição: Meu filho, certa vez em um destes emails corriqueiros que costumamos receber, um em especial me chamou a atenção, dizia o seguinte: "Existem muitas pessoas que são como caminhões de lixo. Andam por aí carregadas de lixo: cheias de frustrações, cheias de raiva, traumas e desapontamentos. A medida que suas pilhas de lixo crescem, elas precisam de um lugar para descarregar e às vezes descarregam sobre a gente. Não torne isso pessoal. Isto não é problema seu! Apenas sorria, acene, deseje-lhes o bem e siga em frente. Não pegue o lixo de tais pessoas e nem o espalhe sobre outras no trabalho, em casa ou nas ruas. Fique tranqüilo, respire fundo e prossiga, deixe-o passar..."

Nunca mais fui o mesmo no trânsito, hoje sei o meu papel na sociedade! - finalizou meu pai.

Fiquei emocionado e com muito orgulho de estar diante não da figura paterna e sim do verdadeiro exemplo de cidadania. Foi quando compreendi que pessoas felizes e conscientes não deixam o seu dia se estragar por tão pouco.

A vida é muito curta, aprenda a amar as pessoas que te tratam bem e trate bem também as que não o fazem, porque é fácil amar o que nos convém quero ver amar o inconveniente. Isto é o que distingue o ser humano, a sua capacidade de ver além, não com os olhos e sim com o coração! Sei que neste dia, eu também mudei...


3º lugar - Sonia Maria Valente Castro Ribeiro da Silva

Aconteceu comigo no trânsito

Para que todos entendam a narrativa, é preciso dizer primeiramente que não sou filha legítima desta grande capital.

Sou daquelas forasteiras que como tantas outras, se apavorava só de ouvir falar do trânsito da grande metrópole.

Por descuido ou por destino, aqui estou morando e testemunhando o que relato e juro que se me contassem , é provável a minha incredulidade.

Era final de novembro do ano de 2008, e para obedecer à rotina eu tinha pouco mais de 30 minutos para que pudesse chegar pontualmente ao meu trabalho.

Meu carro? Um Tempra 1996, completíssimo daqueles que já não se fazem mais. Tratava-se do meu xodó. Conservava sua origem ostentando a placa do estado que me enviou para cá, em busca de novos caminhos.

Regularmente revisado e seguro ostentava meu conforto.

Naquele dia, sai calmamente, na certeza de que o tempo era suficiente.

Do endereço em que resido, descendo a Cardeal Arco Verde, minha pretensão era a de encontrar a Av. Henrique Schaumann e prosseguir pela Av. Sumaré.

Na altura da animada Praça Benedito Calixto, em frente a Santa Igreja do Calvário, o carro resolveu silenciar sua animada dança de pistões e sem ameaças, negou-me o direito de ir e vir não me levando mais a lugar nenhum.

Naturalmente entrei em pânico. Em poucos segundos enquanto ligava o pisca alerta, que parecia ter sumido do painel, comecei a imaginar o que aconteceria dali pra frente:

Provavelmente os carros testariam suas buzinas, os condutores procurariam o palavrão mais adequado para aquela situação e por final a polícia de trânsito viria me ameaçar caso não chamasse um guincho imediatamente.

Como era de se esperar a multa seria inevitável e conseqüentemente os famigerados pontos na carteira.

Qual o quê! Rapidamente alguns pedestres ofereceram-se para empurrar o carro até sair do fluxo central da rua, desimpedindo o trânsito.

Um motorista de táxi que por ali passava, avisou uma camionete da CET que em minutos estava ao meu lado para saber o que havia ocorrido e do que eu estava precisando.

Quando ouviu meu sotaque sulista, alertou-me sobre os perigos da gasolina adulterada, rebocando meu carro até o posto.

Fiquei perplexa com a sequencia de atitudes.

Só posso concluir que uma cidade tão densamente povoada de veículos e pessoas, teve que se humanizar para amenizar seus problemas de trânsito formando cordões de solidariedade, que não são comuns em outras capitais.

É muito bom que isso aconteça mesmo que os moradores de Sampa não tenham ciência que isso acontece todos os dias. Muitas vezes falta aos paulistanos tempo para observar os caprichos da natureza humana.

Mas que aconteceu, aconteceu... exatamente assim...

E quem quiser que duvide!

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